quinta-feira, julho 29

sem asas.




Essa intemporalidade e remorso que tento esconder dia após dia. O inegável desejo cru quando te vejo, aliado à distância e proibição. Desejo recalcado e afundado com as lágrimas derramadas. Demasiado jovem para ser restringido e abjurado. Tu és a cobra da árvore de Adão e Eva.

Hoje poderás ser o meu príncipe, amanhã poderás já não ser nada. E os dias passam languidamente por entre as horas. Tento não olhar-te e o desejo soa mais forte cada vez, prometendo mentalmente que será a última.

Qual será a pior das traições? Trair consumando o acto ou alimentar todos os dias uma paixão proibida pela moral, secreta, no mais fundo do inconsciente, sem a retrair, ou pior, sem a querer retrair ou largar?

Viciante como a cafeína ou nicotina, tudo se desvanece enquanto se tenta avançar mais um passo. A mentira dos dias. A traição da alma. Um anjo que perdeu as asas.



quinta-feira, julho 1

Recordar é viver.

"Raptei" o desafio da Flor e tenho de contar três coisas que fazia com os meus amigos de infância. Ora, eu já não me lembro bem, mas posso contar coisas que faço com os meus amigos mais antigos.

1. Não posso deixar de recordar com carinho a Joana, a coisa mais nitida que me lembro, tinhamos uns três/quatro anos e estavamos no refeitório do infantário a comer um paposeco com tulicreme, ela diz-me que eu sou uma pastelona a comer. Cada vez que dizem esta palavra lembro-me deste episódio. A Joana faleceu, quando tinhamos 12 anos. Certo que nem ao funeral dela fui, mas passei a ir visita-la ao cemitério várias vezes. Deixa-me sempre uma pequena nostalgia e revolta falar nela, pois quando adoeceu, foi apenas por uma constipação. A última vez que a vi, estavamos na senhora de mércules e ela tinha acabado de recuperar. Morreu dois ou três dias depois. Ela não tinha o mesmo direito que nós? Crescer e tornar-se mulher? 

2.  Então o amigo, que conheço à mais anos, fazendo as contas, 15 anos e que ainda perdura é mesmo o Dioguinho. Conheci-o com cinco anos na escola primária. Voltámos a juntar-nos no liceu e é do meu grupo de amigos. Não me lembro de nada que fazia com ele na escola primária, perduram apenas a fotos tiradas os dois, muito pequenos e reguilas. Mas a sensação de conhecer uma pessoa desde pequenina cria uma intimidade e amizade inimagináveis.

3. Tenho outra amiga, que conheço à oito anos, desde que tinha 12 anos, será a Ana (aqui). É sem dúvida, das amizades mais marcantes que tive até hoje.

Terminando o post, não posso esquecer a Flor, que apenas conheço desde o 10º, mas aproveito para discordar do que se costuma dizer "os amigos para a vida conhecem-se na universidade", os meus amigos para a vida, conheci-os do liceu e esses sim, são para a vida. Ela é um deles, porque não me esqueço de tudo o que passámos (tudo mesmo, bons ou maus momentos). *


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